VIVA A ROSA DO POVO: 150 ANOS DA CHAMA REVOLUCIONÁRIA

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VIVA A ROSA DO POVO: 150 ANOS DA CHAMA REVOLUCIONÁRIA

5 de março

Hoje, rememoramos os 150 anos de nascimento da camarada Rosa Luxemburgo (1871-1919), lutadora da classe trabalhadora contra o imperialismo, pela autonomia dos povos, e pela construção do socialismo.

Rosa nasceu em 5 de março de 1871, em Zamość, uma pequena aldeia na Polonia, dominada pelo Império Russo. Como polonesa, viveu desde a infância a opressão tsarista e na juventude participou das lutas de emancipação. Rosa dedicou-se ao estudo da sociedade capitalista, de acordo com a concepção marxista, procurando entender seus elos fracos para a destruição desse sistema de exploração. Para isso, organizou-se no Partido Social Democrata da Polônia, e em seguida, da Alemanha. Diante da vacilação dos sociais-democratas, que abandonaram a defesa da revolução social e apoiaram a participação na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Rosa denunciou a danosa aliança do partido com a burguesia e as consequências desastrosas para a classe trabalhadora mundial.

Rosa estudou o avanço das revoltas populares, expressão da organização política da classe trabalhadora na Rússia, com os sovietes e com os bolcheviques, em 1905 e 1907. Com críticas ao abandono da revolução social pelo Partido Social Democrata, em 1915, Rosa e os companheiros Karl Liebknecht, Franz Mehring, Paul Levi, Ernest Meyer, Franz Mehring, Clara Zetkin, Leo Jogiches fundam a Liga Spartacus, para apoiar as lutas dos trabalhadores alemães.

Os spartaquistas foram detidos pelo governo alemão por realizarem uma forte campanha antimilitarista e só foram libertados com o governo do social-democrata Friedrich Ebert. Aliás, Rosa foi encarcerada inúmeras vezes em sua vida, sempre envolvida nas lutas proletárias.

Rosa observou o modo pelo qual as trabalhadoras e os trabalhadores russos, diante da crise da monarquia tsarista e da fraqueza do governo burguês, derrubou seus opressores monarquistas e burgueses, tomou o Estado burguês, e iniciou a efetiva construção do socialismo, em outubro de 1917. Atenta para as possibilidades históricas da Revolução Socialista na Alemanha, apoiou as revoltas populares e participou do levante spartaquista. Rosa foi presa junto com os spartaquistas e executada em janeiro de 1919, aos 48 anos.

Comemoremos os 150 anos de nascimento de Rosa Luxemburgo, lutadora internacional da classe trabalhadora, cuja vida foi iluminada pela Revolução Socialista, obra da própria classe trabalhadora. Em suas obras, podemos colher a teoria viva, fruto do estudo e da militância socialista.

 


 

Nesse dia especial, a Expressão Popular indica dois livros para o estudo e a compreensão das principais contribuições de Rosa Luxemburgo para as lutas populares: Rosa Luxemburgo e 0 protagonismo das lutas de massa Reforma ou revolução?

 

Esta obra, organizada por Isabel Loureiro, procura tornar acessível as contribuições de Rosa Luxemburgo sobre a organização política da classe trabalhadora para a construção de uma sociedade socialista. Assim, para que se conheça a vida e a obra desta revolucionária, a publicação oferece uma nota biográfica e um comentário sobre a linha mestra do seu pensamento político para, em seguida, apresentar a coletânea de textos escolhidos, com trechos de seus escritos mais importantes. Cada um deles é precedido por um breve comentário de contextualização no conjunto da obra. Seus textos enfatizam, por exemplo, a defesa da criatividade popular, a importância da democracia de base ou da espontaneidade das massas. É assim que surgem reflexões sobre o comunismo “primitivo” ou sobre o convívio de formas de produção mais antigas – como a escravidão – em meio ao capitalismo. Esta obra contribuiu para conhecer a posição política de Rosa Luxemburgo sobre a necessidade das massas esclarecidas, autônomas e politicamente conscientes de seu papel histórico para se tornarem protagonistas dos processos transformadores em direção a um sistema de socialismo profundamente democrático. Para Rosa, não haverá revolução vitoriosa sem a unidade das forças progressistas ou sem amplo apoio popular, como a história do século XX mostrou – desde a Revolução Alemã tragicamente derrotada em Berlim e em Munique, até a implosão do “socialismo realmente existente” na União Soviética ou na Europa Oriental.

 

Esta obra de Rosa Luxemburgo tornou-se uma referência política para o debate sobre os caminhos da luta social: a luta da classe trabalhadora por reformas do capitalismo ou a luta pela destruição desse sistema de exploração para a construção de uma sociedade socialista. Esta obra surgiu no calor do debate no interior do Partido Social Democrata alemão entre Rosa Luxemburgo e Eduard Bernstein, representante de parte da direção do partido. O livro é uma reunião de artigos, publicados inicialmente em 1900, que denuncia o abandono das teses marxistas de defesa da revolução social para a emancipação total da humanidade para a posição reformista de defesa do melhoramento do capitalismo.

Na última década do século XIX, Eduard Bernstein publicou uma série de artigos refutando explicitamente as premissas básicas do marxismo. Defendia que a revolução era desnecessária, pois se poderia chegar ao socialismo através de reformas graduais do capitalismo, com a multiplicação de cooperativas de produção e consumo, o aumento do poder sindical e a ampliação da democracia parlamentar. A social-democracia, dizia Bernstein, devia deixar de ser o partido da revolução social, tornando-se o partido da reforma social. Isso era a expressão teórica de um movimento de integração do partido à ordem capitalista.

Os artigos de Rosa revelam a luta em defesa de um partido político da classe trabalhadora fundado para organização da revolução social no período em que avançam as teses de conciliação com a classe burguesa e do abandono do marxismo. O Partido Social-democrata alemão, fundado em 1875 – cuja base consistia em um sólido e amplo movimento sindical operário, e que tinha na teoria social de K. Marx e F. Engels sua inspiração –, representava o que havia de mais avançado na organização dos trabalhadores tanto em termos teóricos quanto organizativos. Entre seus dirigentes figuravam Karl Kautsky, August Bebel e Eduard Bernstein, que mantinham estreita relação com Marx e Engels. É nessas fileiras que Rosa Luxemburgo travará sua militância política e teórica.

Rosa demonstra – retomando os elementos centrais da crítica da Economia Política – a necessidade da ruptura revolucionária para se instaurar o socialismo. Apesar do impacto deste livro, a social-democracia alemã adere às posições de Bernstein abandonando a perspectiva de transformação radical das estruturas sociais. Em desacordo com essas posições e recuperando o legado revolucionário de Marx e Engels, Rosa Luxemburgo juntamente com outros militantes, entre os quais Karl Liebknecht, buscam construir uma nova organização dos trabalhadores que tenha como objetivo a revolução social.

Quer saber mais? Ouça a radionovela Rosa Luxemburgo, produzida pela Fundação Rosa Luxemburgo em parceria com a Radioagência  Brasil de Fato e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, disponível em: https://rosalux.org.br/radionovela/

Detalhes

Data:
5 de março
Categoria de Evento: