Agenda MST 2020 (verde)

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Tema da Agenda: 15 anos da Escola Nacional Florestan Fernandes

A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), que completa 15 anos em 2020, tem como compromisso fundamental desenvolver processos formativos eman­cipatórios, militantes e solidários comprometidos com a transformação social. Essa concepção de formação humana busca, pelo conhecimento crítico, o trabalho associado e a solidariedade coletiva e formar mulheres e homens de novo tipo, atuantes no processo prático de construção de novas relações sociais antagônicas à privatização dos bens comuns da humanidade, tais como a terra, a água, as riquezas naturais, a educação, a ciência, a saúde e a cultura.

É uma formação teórica e prática que precisa se for­talecer, aprofundar, ampliar e não retroceder em face do dramático contexto atual de revogação de direitos em todas as esferas sociais. Com efeito, o congela­mento por 20 anos do investimento na esfera pública, as contrarreformas do trabalho, da educação básica e universitária e da Previdência e a privatização dos bens naturais e das instituições públicas expropriam os direitos universais fundamentais e interditam o direito à vida digna das atuais e futuras gerações da classe trabalhadora.

No plano da formação e da ação militante, vivemos um contexto que cobra unidade coletiva profunda na luta contra as políticas marcadas pela estupidez, pela insen­satez e pela insanidade humana. A estupidez, para a qual tudo deve ser regulado pelo mercado e privatizado. A insensatez, que se define pelas políticas de anulação da ciência e/ou da sua subordinação ao mundo privado da crença, pela anulação de direitos do valor de uso das terras das comunidades indígenas e quilombolas e pelo descaso com a preservação ambiental. Finalmente, num plano mais profundo e perigoso, situa-se a insanidade humana, que se expressa nas políticas de liberação das armas, nas posturas que incentivam a violência e o ódio aos movimentos sociais e populares, que lutam por direi­tos historicamente negados, e no pensamento divergente no qual incluem as noções vagas de ideologia de gênero e marxismo cultural. Cabe neste particular sublinhar a advertência do conselheiro da Organização das Nações Unidas (ONU) para a prevenção de genocídio, Adama Dieng: “Todos devemos lembrar que os discursos de ódio antecedem crimes de ódio”. A declaração foi dada em julho de 2019 à ONU News.

O processo de construção da ENFF e a sua manutenção ao longo de seus 15 anos sintetizam o que materializa a for­mação humana solidária, emancipadora e militante. Desde a colocação do primeiro alicerce da construção da Escola às atividades formativas de jovens e adultos do Brasil, da América Latina e de outros continentes, há a marca do princípio educativo do trabalho coletivo socialmente útil. Além da solidariedade como dimensão humana que se contrapõe à competição, busca-se afirmar relações sociais que superem a exploração de uns sobre os outros.

Outro aspecto permanente nos processos formativos da ENFF é o desenvolvimento do conhecimento científico que busca desvelar os processos de exploração mantidos pela alienação intelectual, política e religiosa. Ao mesmo tempo, busca-se o aprofundamento da ciência da agroecologia na produção de alimentos que preserva a saúde humana e o meio ambiente e que também se contrapõe à produção contaminada por venenos, com o fim primeiro do lucro. O conhecimento crítico constitui-se, assim, em mediação necessária ao processo de emancipação humana. Todavia, sem a ação militante prática, no dia a dia, pelos direitos negados e pela superação das relações sociais de exploração sob o sistema capitalista, a emancipação não se completa.

É sob essas concepções e práticas formativas dos 15 anos que emana a força para enfrentar, coletivamente, sem ceder à pedagogia do medo e da mordaça, o tempo presente social e humanamente regressivo. E a continuidade desse trabalho educativo na formação humana integral e militante dos trabalhadores do campo e da cidade tem Florestan Fer­nandes como seu patrono, além de Antonio Gramsci com os elementos centrais do passado para enfrentar o presente.

No balanço da luta de sua geração, a que denominou de geração perdida pela contraofensiva conservadora, Florestan conclui: “A nossa condição se alterou, porém nosso papel é o mesmo. Cabe-nos agir como intelligentsia crítica e mili­tante que não está morta.”E Gramsci, perante os tempos de fascismo na Itália, indicava à classe trabalhadora do campo e da cidade os três elementos de luta para a sua superação. “Instrui-vos porque teremos necessidade de toda vossa inteligência. Agitai-vos porque teremos neces­sidade de todo vosso entusiasmo. Organizai-vos porque teremos necessidade de toda vossa força.”

O grito dos excluídos não será em vão!

Rio de Janeiro, setembro de 2019 Gaudêncio Frigotto

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Autor:
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra

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Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra

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