Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e de sua decadência

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Montesquieu escreveu estas Considerações… em 1734, aos 45 anos de idade. Já era um pensador maduro e reconhecido. Havia concebido grandes ideias. Viajara muito. Publicara várias obras, entre as quais as famosas Cartas Persas e as Reflexões sobre a Monarquia Universal. Era membro da Academia Francesa. Isolou-se então, durante dois anos, em sua biblioteca no castelo de La Brède para escrever uma história de Roma, cuja civilização – epicentro do mundo mediterrâneo durante tantos séculos – voltara a ser objeto de novos estudos, que antecipavam o interesse do Iluminismo pelos costumes, instituições e formas de pensamento de povos diferentes, separados no espaço e no tempo.

Montesquieu leu muito, não apenas os clássicos, mas também os eruditos da época imperial ou mesmo dos tempos bárbaros – Procópio, Políbio, Vegécio, Apiano, Amilano Marcelino, Zózimo, Jordanes, Paulo Diácono –, hoje praticamente inacessíveis. Ao começar a redigir, no entanto, optou por um texto curto, sintético, cujo título indica a ambição de conceber uma história explicativa e cuja forma de composição atesta a vontade de solicitar incessantemente a reflexão do leitor. Um texto que não confunde história e retórica, e tampouco faz uma narrativa de acontecimentos singulares. Que, nas palavras do próprio autor, “abandona as ideias intermediárias” para ir sempre ao essencial, pois quer observar o passado para esclarecer o presente. Que busca o que é permanente por trás da precária e descontínua ordem dos fatos.

Montesquieu afirma que há uma racionalidade na história: “Não é a sorte que domina o mundo. (…) Quando o acaso de uma batalha, isto é, uma causa particular, destrói um Estado, é porque havia uma causa geral que fazia com que este Estado devesse perecer em uma única batalha.” Não se deixa fascinar pelo papel das individualidades: “Se César e Pompeu houvessem pensado como Catão, outros teriam pensado como César e Pompeu.” Mas evita cuidadosamente um determinismo histórico simplista, pois a seu ver uma causa geral resulta de forças diversas, que incluem desde as estruturas políticas até questões de técnica militar.

A publicação das Considerações… não se deu sem dificuldades. O autor submeteu o texto, ainda em provas, a um de seus amigos jesuítas, o padre Castel, que lhe propôs atenuar algumas passagens que tratavam da questão religiosa. Teve ainda a prudência de escolher o anonimato e procurar uma editora holandesa. Só depois apresentou a obra aos confrades da Academia Francesa. Ela foi, em sequência, traduzida para o inglês (1734), o alemão (1742) e o italiano (1764), encontrando leitores atentos: Frederico II da Prússia, os maçons alemães e, evidentemente, os iluministas franceses. O encantamento se perpetuou. Este pequeno livro, logo tornado um clássico, foi citado como modelar por Alexis de Tocqueville e considerado “uma obra seminal de história” por Camille Julian.

Hoje, quando os historiadores interessam-se mais pelas estruturas ocultas e relativamente estáveis do que pela simples cronologia dos fatos, essas apreciações adquirem um novo valor. Ao renunciar às facilidades da história narrativa, Montesquieu foi um precursor de Turgot, Gibbon e Hegel, fundadores da filosofia da história. Definitivamente, Montesquieu é moderno.

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Autor:
MMontesquieu

Número de páginas:
200

ISBN:
978-85-8591-045-7

Editora:
Contraponto

ID do produto: 5773

Informação adicional

Peso 0.25 kg

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