Manifesto latino americano e outros ensaios, O

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A primeira geração de economistas latino-americanos formou-se e trabalhou em um ambiente que valorizava o livre-comércio e a especialização produtiva de cada país conforme sua dotação natural de recursos. Para nós, isso significava produzir bens primários e importar produtos industriais. A economia política de matriz inglesa fornecia a justificativa teórica para essa assimétrica divisão internacional do trabalho.

Sob a liderança intelectual de List e de Hamilton, Alemanha e Estados Unidos recusaram desde cedo esse arranjo que a Inglaterra propunha para a economia internacional, mas na América Latina ele permaneceu hegemônico. Quem liderou intelectualmente nossa tardia reação foi Raúl Prebisch (1901-1986). A crise de 1929 lhe mostrou a fragilidade das economias primário-exportadoras, mas só no após-guerra, com a criação da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e, depois, da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), órgãos da ONU, ele pôde contar com uma base institucional que lhe permitiu desenvolver, aperfeiçoar e propagar sistematicamente um novo ponto de vista.

Sob sua liderança, formou-se gradativamente um pensamento econômico latino-americano, cujo marco inaugural foi a apresentação de “O desenvolvimento econômico da América Latina e alguns de seus principais problemas”, conhecido como “Manifesto Latino-Americano”, na Conferência de Havana em 1949. É o texto que abre esta coletânea de seus ensaios mais importantes, que nos mostram, passo a passo, a construção dessa teoria alternativa. Prebisch mostrou que, ao contrário do que se dizia, a especialização produtiva subordinada ao livre mercado não produziria uma convergência na renda dos diferentes países, por cinco motivos principais:

a) a oferta de bens industriais se ajusta de forma mais ágil e flexível às oscilações da demanda, enquanto a oferta de bens primários é mais inelástica, de modo que neste caso os ajustes são feitos, principalmente, via preços;

b) a indústria tem maior capacidade de inventar produtos, criando mercados novos, enquanto os bens primários permanecem sem alterações significativas ou com alterações apenas marginais, continuando a depender da expansão de mercados tradicionais;

c) o crescimento da produção primária tende a ser mais extensivo, com maior utilização de fatores de produção já existentes;

d) as barreiras à entrada de novos concorrentes são maiores nos setores intensivos em capital e tecnologia do que na produção de bens primários, que por isso ficam mais expostos à competição;

e) à medida que a renda das sociedades se eleva, aumenta a proporção dessa renda que se destina a consumir bens com maior conteúdo tecnológico e diminui a proporção que se destina a consumir bens primários; portanto, as economias que se especializam nestes últimos estão condenadas a disputar uma parcela decrescente da renda total.

Era preciso, pois, tomar a decisão política de industrializar a América Latina, mesmo que isso implicasse criar novos problemas e desequilíbrios, que deveriam ser corrigidos durante a jornada. Prebisch nunca se furtou a explicitá-los e examiná-los de maneira realista, sem dogmatismo. Daí a enorme atualidade de seus textos.

Os dez ensaios aqui reunidos, mais as apresentações de Adolfo Gurrieri e Ricardo Bielschowsky, permitem acompanhar a construção da mais bem-sucedida economia política do desenvolvimento ajustada às condições da América Latina.

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REF: Manifesto latino americano e outros ensaios, O Categorias: , , , Tag:

Autor:
Raul Prebisch / Adolfo Gurrieri (org.)

Número de páginas:
648

ISBN:
978-85-7866-041-3

Editora:
Contraponto

ID do produto: 6668

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