Marcio, o guerrilheiro

R$35,00

Cinco anos de pesquisas em busca da verdade histórica sobre este fato ocorrido há mais de 30 anos, foi o tempo que Antonio Pedroso Júnior demorou para conseguir pesquisar a verdadeira história de Márcio Leite de Toledo e as razões que culminaram com sua morte. Este triste episódio, ocorrido durante o regime militar, era tratado como tabu pelos militantes das organizações de esquerda que lutaram de armas na mão contra a Ditadura Militar. Afinal, quais as verdadeiras razões que determinaram o assassinato de Márcio Toledo, o Carlos da Ação Libertadora Nacional? Márcio havia traído a organização e por conseqüência foi justiçado pelos próprios companheiros ou havia sido executado pela repressão e a culpa colocada sobre seus companheiros?
Depois destes longos anos de pesquisa, Pedroso Júnior relata neste livro que nenhuma das versões apresentadas durante todos estes anos estava correta. Retornando ao Brasil em final de Maio de 1970, depois de quase dois de treinamento de guerrilhas em Cuba, Márcio encontrou a ALN submersa em profunda crise, em decorrência da morte de seu líder e fundador Carlos Marighela e dada a fama com que retornara da Ilha de Fidel, acabou por ser guindado a Coordenação Nacional da Organização, com a finalidade de buscar unir os cacos e reconstruí-la. Quando esta Coordenação encontrava-se reunida, em outubro de 1970, buscando organizar as atividades daquilo que seria denominado “Quinzena Marighela”, para lembrar o líder morto um ano antes, acaba por sofrer outra baixa importante, com a prisão e morte de Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”, que era o sucessor do ex-deputado baiano no comando da organização.
“Toledo” foi preso em virtude da delação do militante José da Silva Tavares, o Severino, o que vinha a comprovar que a repressão conseguirá infiltrar espiões dentro das organizações dos revolucionários. Com esta queda importante, Márcio começou a propor para o conjunto da organização a que pertencia, a proposta de recuo estratégico na luta, com a retirada das lideranças mais visadas do país e a distribuição dos companheiros que não eram visados pelo interior do país, retomando vida legal, e aguardando o retorno dos militantes do exterior. As lideranças no exterior buscariam organizar um Congresso que unisse todos os combatentes da luta armada em uma única organização, que retornaria a nossa pátria com o nome de Exército de Libertação do Povo Brasileiro com a finalidade de prosseguirem a luta contra o regime militar.
O grupo que assumira o comando da ALN, formado por jovens entusiastas, com idade média de 21 anos, não concordava em hipótese alguma com a proposta de Márcio, o que o levou a querer a discutir a proposta com os militantes que conhecia e mesmo com outras organizações, preparando para tanto um documento onde expunha suas idéias, onde deixava claro de que ninguém poderia “o impedir de ser revolucionário”. A postura de Márcio de querer rediscutir o caminho da luta armada e o recuo estratégico naquele momento em que as prisões ocorriam diariamente, além das mortes de companheiros importantes para a resistência, acabou sendo interpretado pela Direção Nacional da ALN como a possibilidade de Márcio vir a trair a causa que abraçara e hipoteticamente colocando em risco a segurança dos militantes da Organização.
Profetizando a possibilidade da traição, Carlos Eugênio Coelho Sarmento da Paz, o Clemente, acabou por convencer a Coordenação Nacional que o melhor a fazer era “justiçar” Márcio Leite de Toledo. Com o voto discordante de José Milton Barbosa, o Célio, a execução do combatente Márcio Leite de Toledo foi aprovada e um comando revolucionário, sob a chefia de Clemente, foi ao seu encontro em um ponto previamente marcado com a finalidade oficial de serem discutidas as divergências apresentadas pelo militante Carlos. Por volta das 18:00 horas do dia 23 de Março de 1971, na rua Caçapava, altura do número 104, aparentemente as tais divergências apresentadas pelo guerrilheiro urbano terminaram, com o comando revolucionário tendo oficialmente “justiçado” e conseqüentemente calado a sua boca de forma truculenta e bestial. Não contava o seu principal idealizador e executor, que este ato extremo e altamente desnecessário, viesse a acirrar as contradições no seio da organização, e que o cadáver e as idéias de Márcio permanecessem insepultos ao longo de décadas. Márcio, o guerrilheiro, vem resgatar a verdade sobre este acontecimento.
Pedroso Junior leu, pesquisou, entrevistou e colocou no papel esta história emocionante de um jovem que deu o melhor de sua vida para a libertação do povo brasileiro. Com capa de Maringoni, prefácio do jornalista Gerson de Souza, orelha
escrita por Márcio França, ex-Prefeito Municipal de São Vicente e fotos de Pedro Romualdo. Além de Márcio, o Guerrilheiro, Pedroso Junior escreveu: “ Subsídios para a História da Repressão em Bauru” – 1979: Porões Sem Limites – 1999; Subversivos Anônimos – 2007; Sargento Darcy, Lugar Tenente de Lamarca – 2010 e colaborou com Futebol & Ditadura, editado pelo Centro Cultural do Ceará Sporting Clube.

Fora de estoque

REF: Marcio, o guerrilheiro Categoria:

Autor:
Antonio Pedroso Jr.

Número de páginas:
240

ISBN:
979-85-7493-402-9

Editora:
Várias

ID do produto: 7456

Informação adicional

Peso 0.2 kg
Aguarde

Livraria e Editora Expressão Popular

Receba nossos informativos!