Problemas da defectologia – volume I

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Problemas da defectologia – volume I, de Lev Semionovitch Vigotski, com organização, edição, tradução e revisão técnica de Zoia Prestes e Elizabeth Tunes, é parte da obra intitulada Problemi Defektologuii [Problemas da Defectologia], organizada por Tamara Mirrailovna Lifanova, publicado em 1995 – esse livro sistematizado por Lifanova contém praticamente todos os textos e/ou fragmentos de textos, palestras e livros que tratavam da Defectologia escritos  por Vigotski, totalizando 36 textos, entre os quais alguns são partes de outras obras, por exemplo, fragmentos de Voobrajenie i tvortchestvo v detskom vozraste [Imaginação e criação na infância], além do Prefácio ao livro de E. K. Gratchiova.

As organizadoras dessa edição da Expressão Popular optaram por publicar os textos em um pequeno volume. “Essa solução nos pareceu bastante interessante por tornar acessíveis aos leitores de língua portuguesa, de imediato, alguns textos, pelo menos. De outro modo, eles teriam que aguardar até que ficasse pronta toda a tradução do volume. Além disso, sendo cada pequeno conjunto de textos publicado separadamente, o leitor poderá escolher os volumes que contenham o que mais lhe interessa. Assim, pretendemos publicar a coletânea completa de Problemas da Defectologia (1995) em alguns volumes com, aproximadamente, seis ou sete textos cada um”. Ainda de acordo com as organizadoras, a apresentação dos textos no volume organizado por Lifanova está em ordem cronológica de sua produção. Na presente tradução, elas seguiram o mesmo critério. “Demos prioridade, neste volume, à tradução de escritos que consideramos importantes para quem está iniciando os estudos nos campos da Pedagogia, da Psicologia e da Educação Especial.

Os estudos relacionados à defectologia ocupam um lugar de destaque na obra de L. S. Vigotski. Seu interesse pelos estudos do desenvolvimento da criança normal e anormal esteve presente desde o início de sua atividade no campo da educação, em Gomel (Bielorrússia), para onde regressou depois de se formar em direito, filosofia e história, em Moscou. Vigotski preocupava-se em desvendar a essência interna da patologia, desde a “gênese dos defeitos primários ao surgimento, no processo de desenvolvimento, de sintomas secundários e terciários e, levando em conta as ligações e relações interfuncionais que se formam, chegar ao entendimento das peculiaridades estruturais da totalidade da personalidade da criança anormal.

Em geral, os estudos de Vigotski sobre a defectologia não têm a mesma repercussão dos que tratam da psicologia do desenvolvimento, de um modo geral e em referência ao homem comum com um biótipo considerado normal. Contudo, é muito importante ressaltar que, para ele, o estudo do desenvolvimento atípico é essencial para o entendimento dos processos comuns ou típicos. Essa ideia perpassa todos os seus estudos de defectologia, pois se encontra no âmago de sua preocupação em compreender a diversificação das formas de desenvolvimento cultural. Contudo, ela é realçada quando ele examina os processos compensatórios, mais especificamente a compensação social, que é o modo de realização de uma singularidade concreta.”

De acordo com as autoras do Prefácio dessa obra – Maria Aparecida Moysés e Biancha Angelucci – engana-se quem pensa que este é um livro sobre deficiência; é um livro sobre  desenvolvimento humano. Desenvolvimento, aqui tomado, na acepção vigotskiana, de que não há indivíduo sem sociedade, não há intrapsíquico sem interpsíquico, tampouco há orgânico sem simbólico. Para elas, estes textos sobre defectologia são coerentes com outros escritos de Vigotski mais conhecidos no Brasil, nos quais as diferenças – que nos caracterizam como humanos − são reconhecidas e valorizadas, enquanto as desigualdades − que deformam nossa humanização – são criticadas e combatidas. Impossível não identificar o valor que ele reconhece nas diferenças e sua crítica radical às desigualdades em suas reflexões sobre a educação de crianças normais versus educação de crianças defectivas. Valorizar a diversidade humana e combater as desigualdades socialmente construídas significa minar as bases da medicalização e da patologização da vida.

Segundo Moysés e Angelucci, cem anos depois de sua elaboração, catorze anos depois da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, experimentamos o vigor desses escritos que incomodam e rompem com a formação e as práticas hegemônicas relativas às infâncias, especialmente às crianças com deficiência: “Sem romantizações e idealizações abstratas, mas, ao contrário, explicitando dificuldades impostas pelos obstáculos que constroem a deficiência, encontramos uma emocionante defesa de sua despatologização. Em síntese, podemos afirmar que em terrenos vigostskianos não florescem processos patologizantes. Convidamos para um encontro com Vigotski, seus experimentos, seu tempo, seu desejo de futuro, seu compromisso com outra sociedade. E esta é uma oportunidade inigualável, posto que temos, pela primeira vez em língua portuguesa, a versão traduzida diretamente do russo de uma parte de seus Problemas da Defectologia elaborada pelas tradutoras de maneira consistente, rigorosa e intensa.”

Assim, para as organizadoras deste livro, com a tradução dos sete textos que ora apresentam, procuram oferecer ao leitor brasileiro a oportunidade de iniciar ou aprofundar seus estudos na fantástica e desafiadora área da defectologia. Aqui, também, elas declaram o compromisso de continuar com a tradução dos demais capítulos que compõem o livro organizado por Lifanova.

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Descrição

Lev Semionovitch Vigotski (1896-1934), um dos mais destacados pensadores soviéticos, pesquisador no campo da psicologia e da pedagogia, apesar da morte precoce aos 38 anos, destacou-se por seus estudos de caráter social para o desenvolvimento integral da criança, levando em conta, além das características individuais, todo o contexto histórico e social deste processo. Baseada na filosofia do materialismo histórico e dialético, essa concepção da psicologia ficou conhecida como socio-histórico-cultural.  Em 1929, Vigotski foi encarregado de trabalhar na recém-criada Casa Central de Educação Artísticas de Crianças, sob direção do Comissariado do Povo para a Instrução da Rússia, onde sintetizou os estudos sobre criação e imaginação e publicou em 1930 “Imaginação e criação na infância – ensaio psicológico (livro para professor)”. Em 1934, Vigotski morreu em consequência da tuberculose contraída em 1925.

Informação adicional

Peso 0.376 kg
Dimensões 14 × 21 cm