Reflexões sobre a construção de um instrumento político

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Reflexões sobre a construção de um instrumento político: contribuição ao I Congresso do Partido dos Trabalhadores veio a público pela primeira vez com o título PT em movimento, em 1991. Era o momento do primeiro congresso nacional do partido, realizado em São Bernardo do Campo dois anos após a primeira candidatura de Lula à presidência. O sucesso da campanha de 1989 trazia questões de dimensões inéditas para o partido, principalmente em relação às necessidades de se fazer alianças para viabilizar a chegada ao poder e sua sustentação. Florestan Fernandes, à época atuando como deputado pelo PT, estrutura sua contribuição defendendo a atualidade da tarefa de se construir um instrumento político da classe trabalhadora para a transformação social considerando-se os desafi os do contexto.

Para Fernandes, o socialismo surge criticando, entre outros elementos, “o Estado capitalista como modalidade de democracia restrita, apesar das constituições e das eleições”. Com isso em vista e um século de experiências de revolução e contrarrevolução, o autor identifica duas questões centrais para a condução das práticas do partido, e ao longo do texto busca subsidiar a reflexão sobre o assunto: “1ª) A social-democracia, adulterada para servir às nações capitalistas centrais, é viável na periferia e nela perderia o caráter de uma capitulação dos trabalhadores e dos assalariados de outros escalões ao despotismo do capital? 2ª) O PT manterá a natureza de uma necessidade histórica dos trabalhadores e dos movimentos sociais radicais se preferir a ‘ocupação do poder’ à ótica revolucionária marxista?”

Descrição

Florestan Fernandes (1920-1995) foi um intelectual brasileiro comprometido com os “de baixo”, como ele mesmo se apresentava: “socialista, militante de movimentos de protesto social, sociólogo e professor” que contribuiu para a compreensão da realidade social brasileira, para a defesa dos direitos dos trabalhadores, dentre eles, o direito à educação e à igualdade racial.

Foi professor na Universidade de São Paulo desde 1945, catedrático em 1964, mas cassado pelo AI-5, em 1969. No exílio, foi professor em universidades canadenses e estadunidenses. Em 1978, já no Brasil, foi convidado a lecionar na PUC/SP. Em 1986, foi eleito deputado federal à Constituinte, pelo Partido dos Trabalhadores, e reeleito em 1990. Dentre vasta produção intelectual, destacamos as obras publicadas pela Expressão Popular:  A universidade brasileira: reforma ou revolução?, Da guerrilha ao socialismo: a revolução cubana, Apontamentos sobre a “Teoria do Autoritarismo, Poder e contrapoder na América Latina, O que é revolução?, O significado do protesto negro, A contestação necessária.

Em seu centenário de nascimento [22/07/2020], o povo brasileiro relembra a sua trajetória comprometida com a causa da emancipação da humanidade. Como sociólogo, foi considerado fundador da sociologia crítica no Brasil, e grande intérprete do marxismo na América Latina. Com isso, contribuiu para o estudo das questões raciais, da escravidão e da abolição, sob a ótica da luta de classes, bem como do debate sobre a revolução burguesa no Brasil e as tarefas revolucionárias na América Latina e no Brasil. Como lembrou Antonio Candido sobre seu grande amigo Florestan: “Creio que ele foi o primeiro e até hoje o maior praticante no Brasil desse tipo de ciência sociológica, que é ao mesmo tempo arsenal da práxis, fazendo o conhecimento deslizar para a crítica da sociedade e a teoria da sua transformação.

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