Reflexões sobre a revolução chinesa

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Diante da comemoração dos 70 anos da Revolução Chinesa, em 2019, pesquisadores do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Política Social, ambos da Universidade Federal do Espírito Santo, reunidos no 7º Encontro Internacional de Política Social e 14º Encontro Nacional de Política Social, realizados em Vitória-ES, entre os dias 3 e 6 de junho de 2019, reuniram seus estudos, junto aos de pesquisadores chineses, como contribuição à reflexão sobre os caminhos da República Popular da China, uma das mais poderosas economias mundiais da atualidade. As pesquisas contaram com a participação, além dos organizadores, Renata Couto Moreira e Rogério Naques Faleiros, de pesquisadores do grupo de pesquisa do Departamento de Economia da UFES e da Global University for Sustainability: Paulo Nakatani, Helder Gomes, Adriana Ilha da Silva, Neide César Vargas, Paula Cristina Nabuco Felipe, Rafael Venturini Trindade, além da colaboração de Sit Tsui, Erebus Wong, Lau Kin Chi e Wen Tiejun.

O livro está organizado em sete estudos, por ordem cronológica: “Antecedentes da Revolução de 1949”; “A questão agrária na Revolução Chinesa e na transição socialista”; “A construção da República Popular até o final dos anos 1960”; “As reformas na assistência à saúde e a política de abertura e reformas econômicas de Deng Xiaoping”; “A expansão internacional da China por meio da compra de terras no Brasil e no mundo”; “Partido Comunista Chinês, processo decisório e rumos do desenvolvimento na China”; “Um cinturão, uma estrada: a estratégia da China para uma nova ordem financeira global”; “A sustentabilidade com justiça ecológica e econômica na China”.

As pesquisas têm como foco principal o estudo do desenvolvimento econômico atrelado aos interesses e necessidades sociais dos trabalhadores e trabalhadoras, tanto na China, quanto no Brasil e na América Latina. Na atual conjuntura de crise econômica, social, política, cultural, ambiental e sanitária do sistema capitalista global, este livro contribui para a reflexão sobre a necessidade de retomada das experiências históricas anticapitalistas e socialistas, dos processos históricos revolucionários, do ponto de vista latino-americano, no qual a China ganha um destaque especial.

Trechos do texto

No futuro, provavelmente poucos fenômenos chamarão mais a atenção dos “escafandristas” do que a ascensão chinesa nas três últimas décadas do século XX e nas primeiras do século XXI. Partindo de uma realidade absolutamente adversa, caracterizada pelas invasões internacionais e a fragmentação territorial daí derivada – incluindo a guerra, a fome e o atraso no desenvolvimento das forças produtivas –, a China ofereceu ao mundo contemporâneo as maiores taxas de crescimento econômico, em torno de 10% em média entre 1979 e 2010, algo nada desprezível considerando-se a dimensão de sua população. Ademais, a experiência dita “socialista” pelo alto comando do Partido Comunista Chinês contrasta com a prostração das economias capitalistas no período em tela, evidenciando clivagem digna de nota. Certamente, o fenômeno possui ligações com o evento que em 2019 completou 70 anos, qual seja, a Revolução capitaneada por Mao Zedong, ocasião pela qual este livro vem a público. […]

Contudo, as polêmicas parecem ainda distantes de qualquer consenso, tal como fora no passado: se por um lado a economia chinesa apresenta hoje maior grau de abertura e conexões íntimas com as finanças mundiais, por outro mantém a posse comunal da terra, o controle partidário inabalável e o sistema de hukou , criado na dinastia Qing e reavivado em outras bases após 1949. Trata-se de uma economia em transição socialista, de um socialismo de mercado ou de um capitalismo de Estado? Até que ponto os meios não se transformaram em um fim? Quais devem ser as diretivas frente ao nacionalismo e às pressões separatistas? E qual seria a viabilidade contemporânea do socialismo em um só país, frente ao imperialismo do mercado mundial? Como continuar erguendo-se enquanto nação e, ao mesmo tempo, reforçar o caráter internacionalista da revolução socialista? Fato é que a expressão cunhada por Deng Xiaoping na década de 1970, apontando a existência de ‘um país, dois sistemas’ permanece atual, impondo grande desafio teórico e histórico à análise” (Apresentação dos organizadores)

Nas décadas que antecederam a Revolução de 1949, a China poderia ser caracterizada como um país eminentemente agrário, pobre e com inúmeros questionamentos à sua unidade nacional. Seja pela confrontação com as forças imperialistas internacionais (notadamente o Japão), seja pelas disputas internas entre os discípulos de Chiang Khai-shek com os Senhores da Guerra e posteriormente com as forças organizadas pelo “Grande Timoneiro” Mao Zedong, o cenário de fragmentação parecia desolador. Poucos analistas poderiam asseverar que de realidade econômica, política e social tão desfavorável poderia emergir umas das maiores experiências de crescimento econômico verificadas na história do sistema mundial. A coletânea Reflexões sobre a Revolução Chinesa: a transição socialista em debate, organizada por mim e pela Profa. Dra. Renata Couto Moreira, reúne pesquisas de Professores vinculados ao Departamento de Economia e ao Programa de Pós-Graduação em Política Social, ambos da Universidade Federal do Espírito Santo, apresentados no 7º Encontro Internacional de Política Social e 14º Encontro Nacional de Política Social, realizados em Vitória-ES, entre os dias 3 e 6 de junho de 2019. Nesta ocasião, os pesquisadores, em parceria com intelectuais chineses, voltaram os seus esforços para a compreensão do significado da revolução de 1949 e seus desdobramentos contemporâneos, analisando seus desafios, contradições e os limites colocados à China. Passando pelas Comunas Populares, pelo Grande Salto e pela Revolução Cultural, o Partido Comunista Chinês viu-se em cruzada histórica até então inédita, considerando as suas dimensões. Como mobilizar a colossal massa humana chinesa ao repto do avanço das forças produtivas, em situação de absoluto atraso? Como manter a unidade nacional e territorial ante as forças imperialistas organizadas? Por vezes, como no contexto da crise do Socialismo (fim da URSS e queda do muro de Berlim), o projeto viu-se duramente ameaçado, como nos eventos da Praça da Paz Celestial ao final da década de 1990, reclamando estratégias até então não experienciadas. As contradições são evidentes, mas a China tem se consolidado como a realidade econômica mais potente de fin du siècle e do século XXI. Espero que o livro possa lançar luz sobre os debates e interpretações deste relevante paradigma”. (Rogério Naques Faleiros)

“A China é um país distante, pouco conhecido e extremamente complexo. Seu desempenho econômico tem sido excepcional há décadas, segundo os dados divulgados por instituições insuspeitas como o FMI e Banco Mundial. O crescimento médio da economia chinesa, por um período tão longo, jamais foi igualado por nenhum outro país, colocando-se como a segunda economia mundial ou a primeira segundo as estimativas em paridade de poder de compra feitas pelo Banco Mundial. Socialmente, retirou da pobreza e da miséria cerca de 700 milhões de chineses. Assim, a China vem sendo objeto de avaliações positivas e negativas, debates e muitas controvérsias em vários campos e em diversas épocas. Este livro não trata dessas controvérsias e não tenta resolvê-las, ele apenas procura apresentar alguns elementos que consideramos que ajudam na compreensão da sociedade chinesa contemporânea”. (Paulo Nakatani)

REF: 9786599041457 Categorias: , Tags: , , ,

Autor:
Renata Couto Moreira, Rogério Naques Faleiros (orgs.)

Número de páginas:
356

ISBN:
9786599041457

Editora:
Editora Expressão Popular

ID do produto: 58440

Descrição

Sobre os organizadores

Renata Couto Moreira é professora Adjunta do Departamento de Economia e da Pós-Graduação em Política Social da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Professora colaboradora da Escola Nacional Florestan Fernandes. Fundadora da Global University for Sustainability.

Rogério Naques Faleiros é professor associado do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e do Programa de Pós-Graduação em Política Social, exercendo também o cargo de diretor do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. Professor colaborador da Escola Nacional Florestan Fernandes. Fundador da Global University for Sustainability.

Informação adicional

Peso 0.371 kg
Dimensões 14 × 21 cm