Significado do protesto negro

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Entende-se por movimento negro contemporâneo grupos e organizações que, no país, desenvolvem a luta e o combate ao racismo desde os primórdios da década de 1970. Tomou-se esse período como ponto de partida por ele determinar o marco da reinserção do Movimento Negro no cenário político ao apontar as relações raciais como um dos principais aspectos das contradições existentes entre a sociedade e o Estado no Brasil. Tal movimento tem como uma de suas estratégias a denúncia da discriminação, do preconceito e do racismo existente no país e o desmascaramento da farsa da democracia racial alardeada pela ditadura militar – no Brasil não existia racismo!

Quarenta anos depois, podemos afirmar que essas estratégias foram exitosas e influenciaram e tornaram possíveis mudanças nas condições de vida e trabalho da população negra em anos recentes. A pretensa democracia racial tornou-se indefensável e o racismo é visto como um dos impasses a se rem solucionados para a construção de um Brasil mais justo e igualitário. Vários foram os pensadores socialistas e de esquerda, negros e brancos, homens e mulheres, que contribuíram para a formação dos ativistas que construíram e constroem esse movimento. Florestan Fernandes foi um deles. Um lutador socialista e de esquerda que destinou seu prestígio e autoridade teórica e política em favor da luta de combate ao racismo.

O que fica explícito em seus estudos e livros publicados e em parte presentes no conjunto de textos apresentado nessa nova edição de Significado do Protesto Negro. São textos que relacionam capitalismo e racismo para que se compreenda a desigualdade racial e a condição de pobreza da população negra que os representantes das elites da casa-grande, com o golpe em curso no Brasil, tentam manter como garantia da manutenção de seus privilégios e postos de mando e opressão, o que, juntos com Florestan Fernandes, aprendemos a enfrentar.

Flávio Jorge Rodrigues da Silva Membro da Soweto Organização Negra e da Executiva da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen)

Descrição

Florestan Fernandes (1920-1995) foi um intelectual brasileiro comprometido com os “de baixo”, como ele mesmo se apresentava: “socialista, militante de movimentos de protesto social, sociólogo e professor” que contribuiu para a compreensão da realidade social brasileira, para a defesa dos direitos dos trabalhadores, dentre eles, o direito à educação e à igualdade racial.

Foi professor na Universidade de São Paulo desde 1945, catedrático em 1964, mas cassado pelo AI-5, em 1969. No exílio, foi professor em universidades canadenses e estadunidenses. Em 1978, já no Brasil, foi convidado a lecionar na PUC/SP. Em 1986, foi eleito deputado federal à Constituinte, pelo Partido dos Trabalhadores, e reeleito em 1990. Dentre vasta produção intelectual, destacamos as obras publicadas pela Expressão Popular:  A universidade brasileira: reforma ou revolução?, Da guerrilha ao socialismo: a revolução cubana, Apontamentos sobre a “Teoria do Autoritarismo, Poder e contrapoder na América Latina, O que é revolução?, O significado do protesto negro, A contestação necessária.

Em seu centenário de nascimento [22/07/2020], o povo brasileiro relembra a sua trajetória comprometida com a causa da emancipação da humanidade. Como sociólogo, foi considerado fundador da sociologia crítica no Brasil, e grande intérprete do marxismo na América Latina. Com isso, contribuiu para o estudo das questões raciais, da escravidão e da abolição, sob a ótica da luta de classes, bem como do debate sobre a revolução burguesa no Brasil e as tarefas revolucionárias na América Latina e no Brasil. Como lembrou Antonio Candido sobre seu grande amigo Florestan: “Creio que ele foi o primeiro e até hoje o maior praticante no Brasil desse tipo de ciência sociológica, que é ao mesmo tempo arsenal da práxis, fazendo o conhecimento deslizar para a crítica da sociedade e a teoria da sua transformação.

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